Eu estou aqui
Pensando
Alguém pode me dizer o que fazer?
Uma conversa rotineira com uma colega se soma a um comentário sério do amigo do pai e é isso. Caraminholas sem fim na cabeça. Questionamentos que doem. São sobre o rumo da vida. Por isso dão medo, e doem.
Desperdiçando tempo? Não foi isso que eu pensei, não era isso que eu estava pensando, mas parece que foi isso que ele quiz dizer que eu estou fazendo. "Você ainda está lá?(..) Não se prenda, você é mais complexa que isso."
Eu me sinto segura....lá. É um ponto estável que está lá apesar de tudo. Está lá apesar de tudo.
Está lá, mas me prende a tantas coisas que eu não conhecia. Tenho vários compromissos que antes eu não tinha, que eu achava que nem existiam. E me submeti a eles, para estar lá. Venho me submetendo, me tornando cada vez mais dócil. Será que isso é a morte? Isso que fervilha em mim não pode morrer. Se não, é mesmo a morte.
Estou aqui, e não posso me deixar morrer. É esse o trato.
Se não for assim, terei que ir embroa. Eu já falei.
É preciso impor.
Como é que se faz para impor sem machucar?
Eu amo essa coisinha.
Sentir o seu amor me faz tão bem. Ela não vai me abandonar.
Quanto vale esse preço? Quanto é que custa para não ser abandonado?
Pera, mas e o que eu estou abandonando? O que é que eu estou abandonando? Abandonei andar de patins, mas o que me parece é que já não estava mesmo tão gostoso das últimas vezes. Pela minha lembrança, eu já não era mais tão livre, já não me sentia mais tão livre quando andei de patins pela última vez. Isso não foi ela que matou.
O meu ânimo é que está meio morto. Não tenho mais vontade de sair nem de encontrar os amigos. O que acontece? Por que é que me sinto assim?
Tudo parece tão cansativo... E a distância. A distância parece que não me deixa mais chegar perto deles, ela vai me tirando isso de mim. Não posso deixar isso acontecer. Do mesmo jeito que eles são importantes pra mim, também devo ser importantes pra eles. Isso deve magoá-los. Eu não quero magoá-los.
Tenho saudades de hábitos passados. Mas não foi só a minha vida que mudou, todas as vidas mudaram. As nossas rotinas se separaram. A partir do momento em que tiveram liberdade, começaram a se separar. É impossível evitar, cada uma foi ser a si mesma. É claro, no entanto, que essa separação sempre pode ter seus pontos de confluência. Isso acontece. Acontece comigo, acontece com todos.
Vou chamar a saudade e perder a vergonha de amar. É isso que eu tenho que fazer.
Escrevi de novo.
É ao mesmo tempo uma coisa que eu queria fazer e uma coisa que me preocupa. Eu nunca escrevo quando estou bem.
Que chatiação! Que agonia! Parece que nunca neguei problemas tão bem!
Eu não quero negar problemas!!! Quero saber cadê os problemas!
Quero saber o que fazer, o que fazer com a minha vida.
Como é que faz para saber?
Eu não quero ficar velha e me arrepender da vida que eu vivi. eu quero ter vivido uma vida boa e que me fez (faz) feliz.
É preciso ter paciência. É esse o segredo?... Ter fé? O que é que tem que ter? Segurança? Segurança é foda. Como é que eu vou ter segurança de uma coisa que eu não sei? Como é que eu vou me sentir segura se eu não sei o que vai acontecer, se eu não sei se vou estar viva amanhã?
Vou aceitar a incertaza dos fatos e ficar tranquila com isso? Assim? Simples assim?
É verdade que funciona quando eu penso na morte. Desde que comecei a ter medo da morte penso na sua inevitabilidade para me acalmar. Ela é inevitavel. E quando chegar a hora, não vai ter nada que eu possa fazer a respeito. É melhor não entrar em pênico por causa disso.
É claro que eu não quero morrer! Agora não é aminha hora, e o meu desejo é que ela não chegue nunca.
Mas enquanto ela não chega, ainda me restam os questionamentos sobre o que fazer com a vida.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
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